Centenário Bauhaus: A Escola que Revolucionou a Arquitetura Moderna


A Bauhaus abriu as suas portas há um século. Em 1º de abril de 1919, os alunos cruzaram pela primeira vez a entrada. A Bauhaus foi uma das mais importantes precursoras do modernismo na arquitetura do século XX, servindo como referência obrigatória para artistas de todos os campos em várias partes do mundo. Todo arquiteto e designer de interiores sabe que boa parte do que é desenvolvido na arquitetura e na área de design em geral é fortemente influenciado por uma escola da década de 20.

A Bauhaus foi criada pelo arquiteto Walter Gropius, em 1919. O artista era inspirado pelas vanguardas modernistas da Europa, o que o instigava ainda mais a tornar a escola a principal referência do movimento modernista. Le Corbusier foi outra das grandes influências do modernismo e definiu alguns aspectos importantes da arquitetura contemporânea. Conheça mais sobre a importância da escola Bauhaus para a arquitetura e suas principais características, ideias e conceitos.

Considerada uma das principais precursoras do modernismo no que diz respeito a arquitetura, design e artes plásticas, a Bauhaus foi a primeira escola de design do mundo e de extrema importância para o desenvolvimento dessa arte aplicada.

Fundada no ano de 1919 por Walter Gropius, na Alemanha, seu principal objetivo era tornar-se uma combinação de arquitetura, artes e design, o que acabou gerando muitos conflitos externos e internos, na época. Ao contrário de outros movimentos, a Bauhaus envelheceu bem. “Gropius disse uma vez que não era um estilo, mas uma atitude. Seu legado consiste em permanecer aberto e buscar outras abordagens em todos os campos, da arquitetura à performance, para conseguir encontrar novas soluções para os desafios de hoje”, diz a diretora da Bauhaus Dessau, Claudia Perren, à frente de uma fundação criada em 1994 para preservar o legado da escola e continuar propagando suas ideias. Ao lado do edifício histórico, com seus conhecidos espaços funcionais, paredes pintadas em cores básicas, escadarias de estilo náutico e oficinas banhadas de luz, foi reformado o antigo edifício que abrigava os estudantes, onde se pode passar a noite a um preço acessível em quartos quase nus.

Em 1932, quando a pressão do poder se tornou insuportável, escola acabou se refugiando du - rante nove meses em uma antiga central tele - f ônica em Berlim. O ex ílio de seus professores foi um desenraizamento brutal que, no entan - to, permitiu que a escola propagasse sua filo - sofia em todo o mundo. Nos Estados Unidos, a Bauhaus conseguiu implantar seu ideário nas grandes cidades. Moholy-Nagy criou a Nova Bauhaus e conseguiu alterar a paisagem de Chicago, enquanto Gropius formou em Yale arquitetos como I.M. Pei e Paul Rudolph, que mais tarde seria mentor de Richard Rogers e Norman Forster. “Hoje vemos sua marca em todos os lugares, embora a nostalgia não seja um sentimento nada próprio da Bauhaus”, diz o diretor da Fundação Josef e Anni Albers, Ni - cholas Fox Weber. “Para mim, o objeto que melhor simboliza sua herança é o iPhone: é funcional, foi desenhado para ser simples e o vemos em todos os cantos do mundo”, acres - centa Weber, garantindo que Steve Jobs era “muito familiarizado” com o legado da esco - la. Esse celular parece ter sido inspirado, de fato, no trabalho do designer industrial Dieter Rams, que sempre foi considerado sucessor da Bauhaus.

Os nazistas não hesitaram em colocar os artistas ligados a essa escola na categoria de arte degenerada, embora seu trabalho fosse muito menos feroz do que as cruen - tas caricaturas da chamada Nova Objeti - vidade, que retratavam sem concessões a trágica deriva da sociedade alemã do per íodo entreguerras. É dif ícil entender qual perigo viram nesse design de linha branca e interiores diáfanos, para além da ideolo - gia de seus criadores. “Algumas das figuras da Bauhaus tiveram carreiras que continu - aram durante o III Reich. A estética do mo - dernismo poderia ser desvinculada da pol ítica que lhe serviu de impulso inicial, como aconteceu na Itália fascista”, confirma o historiador Eric D. Weitz, autor de A Alema - nha de Weimar. “No entanto, o rápido fe - chamento da Bauhaus e o ex ílio de suas es - trelas demonstra que o regime considerava que a escola e seus praticantes eram um perigo. A Bauhaus representava uma pol íti - ca aberta, democrática e socialista, o que, para os nazistas, era uma grande infração.” Um século depois, o tempo acaba colo - cando, como de costume, as coisas em seu lugar.

Em Weimar, foi inaugurado o novo Bauhaus Museum, a cargo da arquiteta Heike Hanada. A restauração do único vestígio arquitetônico da escola, aconteceu em maio deste ano, que resta na cidade: a Haus am Horn, casa de ângulos retos que foi decorada com mobiliário desenhado pelos estudantes. Em Dessau, outro museu foi aberto em setembro, que abriga uma coleção de 50.000 objetos da Bauhaus, projetado pela agência barcelonesa Addenda. E em Berlim, à espera da ampliação do Bauhaus-Archiv em 2022, a Haus der Kulturen der Welt acaba de inaugurar uma exposição que rememora as ligações do movimento com as culturas não ocidentais. A exposição levanta a suspeita da batida apropriação cultural. A Bauhaus bebeu de outras tradições, mas logo estas se reapropriaram de suas máximas, utilizando-as para garantir passagem para a modernidade em arte e arquitetura.

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